Disse a minha mulher que iríamos jantar num restaurante simples de todo. Porém que as refeições ali servidas eram muito bem preparadas, pois fora assim há sete anos quando vivi por uns tempos naquela cidade que agora o destino me designara mais uma vez para que eu desempenhar minha função de médico de família.
Quanto ao jantar ela não discordou, ao contrário, até o elogiou. No entanto em relação ao ambiente fez algumas considerações desfavoráveis, reiterando que por cautela viéssemos para ali cedo da noite. Percebi que aquela conversa era devido ao fato de haver alguns senhores apinhados ao balcão com copos e cigarros nas mãos uma vez era suposto o tabaco ser proibido em cafés e restaurantes.
já havíamos acabado o jantar e estava à procura do garçon para pedir a conta, quando vi junto ao balcão do bar restaurante um sujeito de cara muito familiar.
Assim que nos olhamos abriu-me um largo sorriso vindo de imediato em minha direção.
Passado alguns minutos já havíamos nos identificados um ao outro e viemos a descobrir que ambos iríamos atuar juntos no mesmo Centro de Saúde ao menos duas vezes na semana.
O colega convidou-nos a sentar numa outra mesa para com ele beber um copo, fazia questão de nos oferecer. Hesitei por estar acompanhado como é evidente, mas não tive outra opção que não fosse aceitar.
Sentamos os dois como velhos amigos saudosos que se reencontram. Veio um, copo e mais alguns outros, cigarros para dar mais vazão a nossos espíritos desejosos de expressarem-se sobrepondo uns sobre os outros de forma desordenada e ansiosa.
Disse-me ele ter atuado em vários seguimentos no campo da saúde, como o fato de ter sido médico de uma seleção feminina de andebol, das viagens que por conta disso se beneficiara e ao mesmo tempo piscando-me um olho, "dos contactos" que dali advieram. Estava já com sessenta anos até ali bem vividos, dizia ele com orgulho.
Tanto por ele como por mim de certeza que estaríamos mais tempo juntos, uma vez que assuntos não nos faltavam. No entanto, como era sabido, eu estava acompanhado da minha mulher que vez por outra me olhava como que suplicando para que retornassemos à casa. Tratei de assim o fazer o mais breve que pude, despedimo-nos eu e meu amigo promentendo continuar nossa agradável conversa assim que nos reencontrássemos, no trabalho.
Durante o trajeto de retorno à casa continuei a falar e reiterar alguns assuntos daquela noite com minha mulher, sentia-me com os ânimos alterados, mas feliz com aquele encontro inusitado.
Numa das vezes sem conta em que tornei a falar o quanto a sorte havia sorrido para esse meu amigo, minha mulher disse-me algo que mesmo no meu estado de espírito não poderia desconsiderar. «se toda essa felicidade que disse ele sentir for verdadeira, qual a necessidade de ter tornado-se um alcóolico irreversível, gabando-se de ter sido um garanhão sendo ele casado e pai de família, num bar de segunda categoria?»
Não tive resposta para tamanho questionamento, limitando-me a ficar calado.
Meses mais tarde vim a saber que um ano antes daquele encontro, haviam diagnosticado leucemia no rapaz filho desse meu colega. E que ele após ter percorrido vários países da Europa, nomeadamente a Rússia, também na América do Norte em busca da cura,mas retornando sem nenhuma solução, decidiu tratar ele mesmo e curar o filho. No entanto nunca disse a ninguém em que se baseava tal tratamento no qual soube-se jamais ter obtido sucesso.
No dia em que nos avistamos no tal restaurante tudo isso já havia se passado, porém com um agravante a mais: O filho tornara-se viciado em cocaína por opção, nesse caso de morte e não de vida. e por consequência passara a roubar e agredir fisicamente os pais.
Considerei que talvez naquele lugar simples, meu amigo após entornar uns copos de whiskys, revivia seu passado nostálgico tornando-se um homem viril, um pai herói e dono de uma vida afortunada.
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terça-feira, 21 de junho de 2011
sexta-feira, 15 de abril de 2011
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quarta-feira, 13 de abril de 2011
Os prováveis embustes da internet parte II, em: "Letícia e suas (des) aventuras."
Letícia despertou para a vida muito cedo. Conta ela que aos 15 anos já trabalhava em Foz do Iguaçu e dali para o Paraguai era só atravessar a ponte.
Nesse ir e vir de buscar coisas de lá para vender do lado de cá, foi aprendendo as manhãs do negócio. Trabalhava para a dona de um salão de beleza que a deixava praticar o ofício de cabeleireira, e assim ia ela sobrevivendo.
Numa dessas idas às compras ao Paraguai, conheceu um japonês que tinha o dobro de sua idade. Ela era como se diz cá uma miúda gira, e como se diz no meu país, miúda mesmo, porque era pequena e franzina. Porém muito engraçadinha.
Sem muita cerimônia foi viver com ele para um outro lado do estado, norte do paraná. As coisas corriam bem entre os dois, logo ela engravidou de uma menina à qual deram o nome de Yume para a felicidade dos pombinhos e da "obátchan" japonesa. Assim que a menina começou a andar o marido decidiu que tinham de ir viver para o Japão, afinal o Brasil estava de mal a pior. E lá foi a letícia pro outro lado do mundo com marido e criança pequena.
Claro que a chegada num país estrangeiro como imigrante, tem lá seus dissabores, e como tem! Mas ela tinha como tarefa ser dona de casa que incluía, cuidar de tudo, do marido e da filha, enquanto o Soujirou dava duro na fábrica onde arranjou emprego.
Dois anos se passaram e o casal decidiu que já poderiam retornar ao país de origem para educarem a filha, trabalharem menos, quem sabe terem o próprio negócio, e assim o fizeram.
Instalaram-se na mesma região de onde saíram, porém numa cidade maior. Após comprarem um apartemento não muito grande, mas bem localizado, foi a vez de adquirirem um carro, semi-novo, para trabalhar essas coisas. E finalmente veio a idéia de montarem um negócio, um salão de beleza para Letícia.
Claro que ela além dos anos de prática, esqueci de mencionar que no japão cortava e pintava os cabelos das conterrâneas brasileiras, era muito simpática, novidade na vizinhança, tinha tudo para dar certo. Como realmente deu.
Mas parece que na vida dessa rapariga nada ainda estava decidido. O negócio depois de um tempo seguia um curso normal, dava para viver. Já o casamento, nem por isso. Essa já estava de muletas há tempos. como o japonês de estúpido não tinha nada, acordou com a esposa que retornaria ao japão e ela ficava tocando o negócio, isso por um ano. Se as coisas não melhorassem com seu retorno, logo decidiriam o que fazer. Ela disse que sim e continuaram suas vidas "normais" atuando em espaços geográficos separados.
Nesse meio tempo a Yume já estava mais independente, sem o marido em casa,ela começou a chamar uma vizinha,uma moça um pouco mais nova que ela para conversar. As duas eram de mundos completamete diferente,o que torna até mais interessante as relações.Todo dia aprende-se coisas novas com pessoas diferentes.Logo a amizade entre Letícia a Manuela começou a fluir... conversa vai, conversa vem, tempo passando, um dia a manuela falou das maravilhas encontradas na internet para a letícia. Ela arregalou um olhão e disse: «menina tu precisa me ensinar como esse negócio funciona!» Sopa no mel, respondeu a amiga bem disposta. E foi nun zaz traz que a dona letícia já dominava os caminhos virtuais que a levavam as mais diversas salas de chats.
Numa dessas investidas, como quem não quer nada, só dando uma olhada para não perder o jeito, encontrou lá um peixinho perdido. Coitado! O rapaz era um pouco mais novo que ela, estava na américa do norte como imigrante há 4 anos. saído direto de Minas gerais e foi se aventurar na Terra do Tio Sam. Era solteiro, jeitoso, econõmico, bom filho. Mandava uma grana para os pais todo Mês...e assim ia dando-se a conhecer a sua nova amiga. Ela por sua vez, como já tinha também saído fora do país para trabalhar o compreendia muito bem. dessa compreensão, nasceu a confiança entre ela e Leandro. Digamos mais dele nela que ela nele, então ele já passou a partilhar suas idéias com a nova amiga que se dizia separada, com uma filha e um negócio que não andava lá essas coisas. Só não havia se divorciado, pela ausência do até então marido.
Aquela mágica de relacionamento virtual corria ás mil maravilhas, pois nessa altura já tinham um pacto de lealdade. Ele nada fazia sem antes falar com ela.
houve uma situação até engraçada, contada pela Manuela. Estavam os dois amigos a falar de suas obrigações financeiras e coisas afins, e numa dessas o Leandro disse a Letícia que naqule mês, teria de enviar um dinheiro extra para a mãe, porque esta precisava trocar a dentadura que havia partido. Claro que ela o questionou, porém não desaprovou. Mas para a amiga disse:«já viu uma coisa dessas? Essa velha bem que poderia colocar um chiclete e aguentar mais uns tempos né?» A Manuela não sabia se ria ou se chorava quando ouviu aquilo. primeiro porque não deixava de ter piada, e segundo porque começou a conhecer o feitio, ou melhor dizendo o mau feitio da http://www.facebook.com/l/03b00VaxWtF4KfwUHiTlolXcY5g/amiga.No mês seguinte o moço queria dar um microondas novo para a mãe, aí ela não se aguentou e intercedeu dizendo "se não seria uma boa idéia deixar para o natal?" Parece que resultou. mas até então conta a amiga que não tinha percebido o prquê de tanta intromissão na vida econômica e familiar do rapaz. Mas como diz o ditado verdade é como o azeite, logo vem acima! Ocorre que a amizade entre os dois já ia lá pelos seis meses, e o rapaz compadecido da situação da Letícia, sozinha, sem marido, filha etc... Estava há uns meses enviando uma ajuda a ela para que fosse tocando o salão de beleza, até ele chegar para o Natal.
Nesse ir e vir de buscar coisas de lá para vender do lado de cá, foi aprendendo as manhãs do negócio. Trabalhava para a dona de um salão de beleza que a deixava praticar o ofício de cabeleireira, e assim ia ela sobrevivendo.
Numa dessas idas às compras ao Paraguai, conheceu um japonês que tinha o dobro de sua idade. Ela era como se diz cá uma miúda gira, e como se diz no meu país, miúda mesmo, porque era pequena e franzina. Porém muito engraçadinha.
Sem muita cerimônia foi viver com ele para um outro lado do estado, norte do paraná. As coisas corriam bem entre os dois, logo ela engravidou de uma menina à qual deram o nome de Yume para a felicidade dos pombinhos e da "obátchan" japonesa. Assim que a menina começou a andar o marido decidiu que tinham de ir viver para o Japão, afinal o Brasil estava de mal a pior. E lá foi a letícia pro outro lado do mundo com marido e criança pequena.
Claro que a chegada num país estrangeiro como imigrante, tem lá seus dissabores, e como tem! Mas ela tinha como tarefa ser dona de casa que incluía, cuidar de tudo, do marido e da filha, enquanto o Soujirou dava duro na fábrica onde arranjou emprego.
Dois anos se passaram e o casal decidiu que já poderiam retornar ao país de origem para educarem a filha, trabalharem menos, quem sabe terem o próprio negócio, e assim o fizeram.
Instalaram-se na mesma região de onde saíram, porém numa cidade maior. Após comprarem um apartemento não muito grande, mas bem localizado, foi a vez de adquirirem um carro, semi-novo, para trabalhar essas coisas. E finalmente veio a idéia de montarem um negócio, um salão de beleza para Letícia.
Claro que ela além dos anos de prática, esqueci de mencionar que no japão cortava e pintava os cabelos das conterrâneas brasileiras, era muito simpática, novidade na vizinhança, tinha tudo para dar certo. Como realmente deu.
Mas parece que na vida dessa rapariga nada ainda estava decidido. O negócio depois de um tempo seguia um curso normal, dava para viver. Já o casamento, nem por isso. Essa já estava de muletas há tempos. como o japonês de estúpido não tinha nada, acordou com a esposa que retornaria ao japão e ela ficava tocando o negócio, isso por um ano. Se as coisas não melhorassem com seu retorno, logo decidiriam o que fazer. Ela disse que sim e continuaram suas vidas "normais" atuando em espaços geográficos separados.
Nesse meio tempo a Yume já estava mais independente, sem o marido em casa,ela começou a chamar uma vizinha,uma moça um pouco mais nova que ela para conversar. As duas eram de mundos completamete diferente,o que torna até mais interessante as relações.Todo dia aprende-se coisas novas com pessoas diferentes.Logo a amizade entre Letícia a Manuela começou a fluir... conversa vai, conversa vem, tempo passando, um dia a manuela falou das maravilhas encontradas na internet para a letícia. Ela arregalou um olhão e disse: «menina tu precisa me ensinar como esse negócio funciona!» Sopa no mel, respondeu a amiga bem disposta. E foi nun zaz traz que a dona letícia já dominava os caminhos virtuais que a levavam as mais diversas salas de chats.
Numa dessas investidas, como quem não quer nada, só dando uma olhada para não perder o jeito, encontrou lá um peixinho perdido. Coitado! O rapaz era um pouco mais novo que ela, estava na américa do norte como imigrante há 4 anos. saído direto de Minas gerais e foi se aventurar na Terra do Tio Sam. Era solteiro, jeitoso, econõmico, bom filho. Mandava uma grana para os pais todo Mês...e assim ia dando-se a conhecer a sua nova amiga. Ela por sua vez, como já tinha também saído fora do país para trabalhar o compreendia muito bem. dessa compreensão, nasceu a confiança entre ela e Leandro. Digamos mais dele nela que ela nele, então ele já passou a partilhar suas idéias com a nova amiga que se dizia separada, com uma filha e um negócio que não andava lá essas coisas. Só não havia se divorciado, pela ausência do até então marido.
Aquela mágica de relacionamento virtual corria ás mil maravilhas, pois nessa altura já tinham um pacto de lealdade. Ele nada fazia sem antes falar com ela.
houve uma situação até engraçada, contada pela Manuela. Estavam os dois amigos a falar de suas obrigações financeiras e coisas afins, e numa dessas o Leandro disse a Letícia que naqule mês, teria de enviar um dinheiro extra para a mãe, porque esta precisava trocar a dentadura que havia partido. Claro que ela o questionou, porém não desaprovou. Mas para a amiga disse:«já viu uma coisa dessas? Essa velha bem que poderia colocar um chiclete e aguentar mais uns tempos né?» A Manuela não sabia se ria ou se chorava quando ouviu aquilo. primeiro porque não deixava de ter piada, e segundo porque começou a conhecer o feitio, ou melhor dizendo o mau feitio da http://www.facebook.com/l/03b00VaxWtF4KfwUHiTlolXcY5g/amiga.No mês seguinte o moço queria dar um microondas novo para a mãe, aí ela não se aguentou e intercedeu dizendo "se não seria uma boa idéia deixar para o natal?" Parece que resultou. mas até então conta a amiga que não tinha percebido o prquê de tanta intromissão na vida econômica e familiar do rapaz. Mas como diz o ditado verdade é como o azeite, logo vem acima! Ocorre que a amizade entre os dois já ia lá pelos seis meses, e o rapaz compadecido da situação da Letícia, sozinha, sem marido, filha etc... Estava há uns meses enviando uma ajuda a ela para que fosse tocando o salão de beleza, até ele chegar para o Natal.
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Os possíveis embustes existentes na internet
Todos sabemos que hoje em dia só não se encontra o que não se quiser encontrar na internet. E isso como é óbvio vai desde os serviços solicitados, até os oferecidos e em diversas categorias. Bem, estava eu a procura de um sítio para viver mais perto do trabalho e fui seguindo minha busca que parecia interminável, tantas eram as opções.Terminado essa parte e, por curiosidade fui ao setor dos relacionamentos, digamos assim.
Primeiro cliquei em mulheres que procuram homens e confesso que fiquei pasma de ver a maneira como elas dizem o que querem de forma escancarada, melhor, escrachádas. Pelo menos penso que diante de tanta exposição, corpo , cara e palavras picantes, devem ao menos cumprir com o que se propõem ali, caso sejam contactadas.
Depois fui parte em que os cavalheiros procuram as senhoras. Falo assim porque tirando uns poucos rapazes que expõem o corpo e dizem obscenidades, há quem aprecie, óbvio. Achei os demais muito comedidos em comparação com as mulheres. E fui indo mais... Encontrei coisas que na verdade são até piores do que fazem essas senhoras, pela maneira capciosa com que lá punham seus anúncios. Verdadeiros lobos, de certeza velhos, em pele de cordeiro.
Três desses me chamaram a atenção. Um dizia que procurava jovens universitárias para discussão filosófica, prometia ajuda financeira. Em casa particular e com muita discrição. O outro seguia mais ou menos nessa linha dizendo-se escritor, empresário e que buscava um relacionamento sério. No entanto a candidata tinha de ter no mínimo o 12º ano completo, uma vez que ele era licenciado. O terceiro caso dizia ser um senhor de cinquenta anos, que procurava senhoras entre 38 e 45 anos para amizade, possível relacionamento sério, prometia alguma ajuda financeira, e frisava não se tratar aquilo de prostituição.
Quanto mais eu lia, mais percebia a perspicácia masculina, para não dizer dissimulação. Aquilo realmente me interessou, estava mesmo a ser divertido ver as diferentes formas de abordagens deles, a maneira cuidadosa com que tentavam se proteger. Mas como disse inicialmente, o que me chamou a atenção, nesses três anúncios citados acima, foi o fato de os mesmos pertencerem a mesma pessoa.
Concluí então que os cavalheiros, têm o cuidado de dizerem em sua maioria o que suas possíveis "conquistas" gostariam de ouvir, desenvolveram um lado mais sensível para abordar as mulheres sem dar muito nas vistas. E, como esse tipo de conversa dá algum trabalho, uma vez que têm de fazerem bom uso da massa cinzenta, imagino que na pressa deixou o mesmo email para um possível contacto, nos três anúncios que colocou. Teve imenso trabalho e no final sabe-se lá porquê? Comete essa gaffe.
Eu poderia dizer do meu ponto de vista feminino, que ao menos esse que colocou o anúncio do qual estou a falar, devia era mesmo estar desesperado, ser o tipo egoísta, mentiroso e já agora, por que não perigoso? Dos que subestima as mulheres sabe? Como ele não liga nenhuma para nada e ninguém, imagina que toda a gente deve ser como ele, e não repara nos detalhes.
Fiquei impressionada com a decadência humana que estamos vivendo, no que tange aos aspectos emocionais. Parece que estamos num grande mercado variado, online, em que todo dia fecham-se grandes negócios de compra e venda, leilões, sem que ninguém, a menos que queira, seja identificado. Vai ver estamos ainda a falar de um especialista em economia!
Por: Pacheco Soares
Primeiro cliquei em mulheres que procuram homens e confesso que fiquei pasma de ver a maneira como elas dizem o que querem de forma escancarada, melhor, escrachádas. Pelo menos penso que diante de tanta exposição, corpo , cara e palavras picantes, devem ao menos cumprir com o que se propõem ali, caso sejam contactadas.
Depois fui parte em que os cavalheiros procuram as senhoras. Falo assim porque tirando uns poucos rapazes que expõem o corpo e dizem obscenidades, há quem aprecie, óbvio. Achei os demais muito comedidos em comparação com as mulheres. E fui indo mais... Encontrei coisas que na verdade são até piores do que fazem essas senhoras, pela maneira capciosa com que lá punham seus anúncios. Verdadeiros lobos, de certeza velhos, em pele de cordeiro.
Três desses me chamaram a atenção. Um dizia que procurava jovens universitárias para discussão filosófica, prometia ajuda financeira. Em casa particular e com muita discrição. O outro seguia mais ou menos nessa linha dizendo-se escritor, empresário e que buscava um relacionamento sério. No entanto a candidata tinha de ter no mínimo o 12º ano completo, uma vez que ele era licenciado. O terceiro caso dizia ser um senhor de cinquenta anos, que procurava senhoras entre 38 e 45 anos para amizade, possível relacionamento sério, prometia alguma ajuda financeira, e frisava não se tratar aquilo de prostituição.
Quanto mais eu lia, mais percebia a perspicácia masculina, para não dizer dissimulação. Aquilo realmente me interessou, estava mesmo a ser divertido ver as diferentes formas de abordagens deles, a maneira cuidadosa com que tentavam se proteger. Mas como disse inicialmente, o que me chamou a atenção, nesses três anúncios citados acima, foi o fato de os mesmos pertencerem a mesma pessoa.
Concluí então que os cavalheiros, têm o cuidado de dizerem em sua maioria o que suas possíveis "conquistas" gostariam de ouvir, desenvolveram um lado mais sensível para abordar as mulheres sem dar muito nas vistas. E, como esse tipo de conversa dá algum trabalho, uma vez que têm de fazerem bom uso da massa cinzenta, imagino que na pressa deixou o mesmo email para um possível contacto, nos três anúncios que colocou. Teve imenso trabalho e no final sabe-se lá porquê? Comete essa gaffe.
Eu poderia dizer do meu ponto de vista feminino, que ao menos esse que colocou o anúncio do qual estou a falar, devia era mesmo estar desesperado, ser o tipo egoísta, mentiroso e já agora, por que não perigoso? Dos que subestima as mulheres sabe? Como ele não liga nenhuma para nada e ninguém, imagina que toda a gente deve ser como ele, e não repara nos detalhes.
Fiquei impressionada com a decadência humana que estamos vivendo, no que tange aos aspectos emocionais. Parece que estamos num grande mercado variado, online, em que todo dia fecham-se grandes negócios de compra e venda, leilões, sem que ninguém, a menos que queira, seja identificado. Vai ver estamos ainda a falar de um especialista em economia!
Por: Pacheco Soares
domingo, 10 de abril de 2011
Um conto de aniversário
Há alguns anos estava eu brincando de casinha, com minhas bonecas, e as pequenas xícaras de porcelana que minha mãe me emprestou especialmente naquele dia, quando minha madrinha chegou à nossa casa para visitá-la.
Estavam eufóricas, conversavam e riam alto como se estivessem sozinhas, tanto que ouvi minha mãe dizer «comadre estou grávida!» E o resto da tarde a conversa das duas foi em torno desse assunto. Coisas do tipo se meu pai já sabia, de quanto tempo era a gestação, se já tinha me falado da novidade.
Sim, porque esse era um assunto muito sério, afinal até então eu era a única filha do casal. Mais do que isso, era considerada um milagre divino, uma vez que sete anos antes, quando minha mãe perdeu um bebê que nascera menino, com oito meses, o médico que a atendeu foi taxativo ao dizer ao meu meu pai, que a esposa dele jamais poderia ter filhos.
Meus pais, não sei se pelo choque sofrido pela perda do seu primeiro filho, acreditaram tanto no diagnóstico desse médico que jamais consultaram outro para ao menos tirar uma dúvida sequer a respeito do assunto. Meses mais tarde, resolveram adotar uma menina, àqual deram nome de Lúcia. Se a criança adotada fosse menino, chamaria-se Lúcio em homenagem ao meu avô paterno . Enfim, por diversos motivos, alguns até previsíveis, optaram pela adoção de uma menina.
Passsado sete anos após todo esse acontecido, minha mãe deu a luz a uma menina de sete meses, eu. Hoje certamente esse médico seria mais do que questionado. Mas aqueles eram outros tempos, e tudo se passou numa cidade do interior em que uma palavra proferida por um médico em diagnóstico, era um vaticínio! Nasci numa noite gelada de quarta-feira no mês de Julho faltando uma hora e meia para a chegada do dia a seguir. Imediatamente fui carregada para a encubadora, e lá permaneci por por dois meses, dado ser muito fraquinha e correr o risco de não sobreviver. Soube mais tarde que minha mãe sofreu muito por não ter podido me amamentar, cresci guacha, como se diz na minha terra das crianças que crescem tomando leite na mamadeira.
Isso se não for, ao menos parece intrigante, porque mais uma vez, numa noite de Abril, para ser mais exata dia 10, e quase sete anos depois, veio ao mundo minha irmã. A caçulinha! Essa da qual minha mãe estava a falar à sua comadre, no início da conversa. Nasceu não só no tempo certo, após nove meses de gestação, como em perfeita saúde.
Na noite do nascimento da minha irmã, meu pai fez o maior suspense comigo, pois a mãe havia sido hospitalizada com aquele barrigão, e no outro dia prometeu me levar cedo ao hospital ver o novo neném da casa. Aliás, foi ele quem me preparou ao seu modo claro, para a chegada de minha irmãzinha.
Brincava comigo dizendo que eu ia perder o colo, que agora o pai tinha que ajudar a ninar o neném… E eu mimada como era, fazia beicinho de ciúmes.
Mas logo em seguida, ele me pegava no colo e andava comigo agarrada ao seu pescoço por toda a nossa propriedade, me mostando as frutas do pomar, a horta, coisas que ele havia plantado e se transformaram em fruto. Os animais no curral, os bezerrinhos que ainda não haviam sido desmamados .Era sua forma simplória de me explicar o fluxo natural da vida, os mistérios que ele em palavras, devido ao seu jeito simples de ser, não conseguia me fazer entender em tão tenra idade.
Na manhã seguinte ao nascimento da da minha maninha, meu pai cumpriu o prometido e me levou ao ao hospital onde minha mãe se encontrava, para ver a novidade, o bebê recém nascido.
Quando adentramos o quarto, minha mãe a tinha em seus braços, estava toda enrolada numa manta amarelinha de lã feita de croché e ornamentada por aplicações de rosinhas.Sorridente, minha mãe me chamava para ver minha irmã.
Com a ajuda de meu pai, pude vê-la bem de pertinho, e quando a vi, pensei que eu tinha ganhado uma boneca de verdade. Era uma coisinha pequenina, que mal dava dava para ver o rosto.De imediato constatei que os olhos eram castanhos e grandes, se mexiam como se ela alguma coisa já enxergasse, emitia uns grunhidos e minha mãe dizia ser fome.
E assim estavam as duas naquela luta que nós mulheres sabemos. O bebê com fome, mas sem força para mamar, e a mãe quase que desesperada para dar-lhe o peito a mamar. Parece que chegaram a um conscenso, pois essa filha foi a única que lhe deu a alegria de ser amamentada por ela.
Hoje aquele bebê do qual minha mãe falava da gravidez com minha madrinha no início dessa prosa, e que por muito tempo me pareceu uma boneca de verdade, cresceu e está completando mais um aninho de vida!
Estavam eufóricas, conversavam e riam alto como se estivessem sozinhas, tanto que ouvi minha mãe dizer «comadre estou grávida!» E o resto da tarde a conversa das duas foi em torno desse assunto. Coisas do tipo se meu pai já sabia, de quanto tempo era a gestação, se já tinha me falado da novidade.
Sim, porque esse era um assunto muito sério, afinal até então eu era a única filha do casal. Mais do que isso, era considerada um milagre divino, uma vez que sete anos antes, quando minha mãe perdeu um bebê que nascera menino, com oito meses, o médico que a atendeu foi taxativo ao dizer ao meu meu pai, que a esposa dele jamais poderia ter filhos.
Meus pais, não sei se pelo choque sofrido pela perda do seu primeiro filho, acreditaram tanto no diagnóstico desse médico que jamais consultaram outro para ao menos tirar uma dúvida sequer a respeito do assunto. Meses mais tarde, resolveram adotar uma menina, àqual deram nome de Lúcia. Se a criança adotada fosse menino, chamaria-se Lúcio em homenagem ao meu avô paterno . Enfim, por diversos motivos, alguns até previsíveis, optaram pela adoção de uma menina.
Passsado sete anos após todo esse acontecido, minha mãe deu a luz a uma menina de sete meses, eu. Hoje certamente esse médico seria mais do que questionado. Mas aqueles eram outros tempos, e tudo se passou numa cidade do interior em que uma palavra proferida por um médico em diagnóstico, era um vaticínio! Nasci numa noite gelada de quarta-feira no mês de Julho faltando uma hora e meia para a chegada do dia a seguir. Imediatamente fui carregada para a encubadora, e lá permaneci por por dois meses, dado ser muito fraquinha e correr o risco de não sobreviver. Soube mais tarde que minha mãe sofreu muito por não ter podido me amamentar, cresci guacha, como se diz na minha terra das crianças que crescem tomando leite na mamadeira.
Isso se não for, ao menos parece intrigante, porque mais uma vez, numa noite de Abril, para ser mais exata dia 10, e quase sete anos depois, veio ao mundo minha irmã. A caçulinha! Essa da qual minha mãe estava a falar à sua comadre, no início da conversa. Nasceu não só no tempo certo, após nove meses de gestação, como em perfeita saúde.
Na noite do nascimento da minha irmã, meu pai fez o maior suspense comigo, pois a mãe havia sido hospitalizada com aquele barrigão, e no outro dia prometeu me levar cedo ao hospital ver o novo neném da casa. Aliás, foi ele quem me preparou ao seu modo claro, para a chegada de minha irmãzinha.
Brincava comigo dizendo que eu ia perder o colo, que agora o pai tinha que ajudar a ninar o neném… E eu mimada como era, fazia beicinho de ciúmes.
Mas logo em seguida, ele me pegava no colo e andava comigo agarrada ao seu pescoço por toda a nossa propriedade, me mostando as frutas do pomar, a horta, coisas que ele havia plantado e se transformaram em fruto. Os animais no curral, os bezerrinhos que ainda não haviam sido desmamados .Era sua forma simplória de me explicar o fluxo natural da vida, os mistérios que ele em palavras, devido ao seu jeito simples de ser, não conseguia me fazer entender em tão tenra idade.
Na manhã seguinte ao nascimento da da minha maninha, meu pai cumpriu o prometido e me levou ao ao hospital onde minha mãe se encontrava, para ver a novidade, o bebê recém nascido.
Quando adentramos o quarto, minha mãe a tinha em seus braços, estava toda enrolada numa manta amarelinha de lã feita de croché e ornamentada por aplicações de rosinhas.Sorridente, minha mãe me chamava para ver minha irmã.
Com a ajuda de meu pai, pude vê-la bem de pertinho, e quando a vi, pensei que eu tinha ganhado uma boneca de verdade. Era uma coisinha pequenina, que mal dava dava para ver o rosto.De imediato constatei que os olhos eram castanhos e grandes, se mexiam como se ela alguma coisa já enxergasse, emitia uns grunhidos e minha mãe dizia ser fome.
E assim estavam as duas naquela luta que nós mulheres sabemos. O bebê com fome, mas sem força para mamar, e a mãe quase que desesperada para dar-lhe o peito a mamar. Parece que chegaram a um conscenso, pois essa filha foi a única que lhe deu a alegria de ser amamentada por ela.
Hoje aquele bebê do qual minha mãe falava da gravidez com minha madrinha no início dessa prosa, e que por muito tempo me pareceu uma boneca de verdade, cresceu e está completando mais um aninho de vida!
Poema Egípcio do século VII a.C
Com quem falarei hoje?
Os irmãos são maus.
Não é possível gostar-se dos amigos hoje em dia.
Com quem falarei hoje?
Reina a avareza.
Todos se apropriam dos bens alheios.
Com quem falarei hoje?
O desgraçado busca consolo no desgraçado
porque o irmão se converteu em inimigo.
Com quem falarei hoje?
Não sepode confiar em ninguém.
E os amigos tratam-nos como desconhecidos.
Com quem falarei hoje?
O pecado, a praga deste país,
não tem fim.
Os irmãos são maus.
Não é possível gostar-se dos amigos hoje em dia.
Com quem falarei hoje?
Reina a avareza.
Todos se apropriam dos bens alheios.
Com quem falarei hoje?
O desgraçado busca consolo no desgraçado
porque o irmão se converteu em inimigo.
Com quem falarei hoje?
Não sepode confiar em ninguém.
E os amigos tratam-nos como desconhecidos.
Com quem falarei hoje?
O pecado, a praga deste país,
não tem fim.
sábado, 9 de abril de 2011
Rio - Tragédia em Escola "Vítimas de atirador recebem homenagens na porta da escola"
por Maria Ilé Pacheco, sexta, 8 de abril de 2011 às 15:18
Mas não é aplicando a lei de talião que se resolvem problemas dessa monta, pelo contrário, aumentam.
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